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De onde vêm os símbolos do Templo de Salomão?

Os capítulos 6 a 8 de 1 Reis trocam a narrativa pela descrição de uma obra. Quantos côvados tinha cada parede, quanto ouro cobria o cedro, quantos bois sustentavam uma bacia de bronze, que flores foram esculpidas em que portas.

Para o leitor de hoje, soa como o caderno de um arquiteto. Para os israelitas, cada medida carregava significado, porque aquela casa representava a coisa mais importante que poderia acontecer a um povo: o Senhor descendo para habitar no meio dele.

rituais maçônicos

A pergunta sobre a Maçonaria

Quem já ouviu falar da relação histórica entre Joseph Smith e a Maçonaria costuma chegar a este assunto com uma dúvida na ponta da língua: os símbolos do templo não teriam sido emprestados de alguma tradição humana, como a dos maçons? As próprias fontes da Igreja tratam disso de frente, e a resposta esclarece de onde os símbolos realmente vêm.





A página oficial de história da Igreja registra que Joseph Smith se filiou à Maçonaria em março de 1842, em Nauvoo, e que, pouco depois, apresentou a investidura do templo. Existem semelhanças nas formas externas, reconhecidas pelos próprios santos da época, mas a explicação que eles deram para essas semelhanças é o que interessa.

Heber C. Kimball, que havia sido maçom por quase duas décadas, escreveu a Parley P. Pratt que Joseph entendia que a Maçonaria fora, em suas palavras, “tirada do sacerdócio, mas se tornara degenerada”. Outro santo, Joseph Fielding, anotou no diário que a Maçonaria “parecia ter sido um degrau ou uma preparação para outra coisa”, referindo-se à investidura.

A mesma página conclui que a investidura não imitou simplesmente os rituais da Maçonaria; o encontro de Joseph com a Maçonaria evidentemente serviu como catalisador para a revelação. A posição registrada pela Igreja, portanto, não é que o templo derivou da Maçonaria, mas quase o contrário: que tradições humanas guardavam fragmentos distantes de uma verdade muito mais antiga, restaurada por revelação.

Hugh Nibley, autor citado pela Liahona de fevereiro de 2007, levou esse raciocínio ao limite. Diante da ideia de que Joseph teria montado o templo juntando pedaços de várias tradições, judaicas, maçônicas, egípcias, ele respondeu que não foi assim que a coisa funcionou. Pouquíssimos fragmentos estavam disponíveis na época de Joseph, e ainda que estivessem, aqueles míseros fragmentos não poderiam ser reunidos para formar um todo coerente.

Não é o templo que deriva deles, e sim o contrário. John A. Widtsoe, foi um apóstolo e também estudioso, ofereceu a mesma explicação em chave doutrinária: a razão pela qual a adoração no templo aparece em toda parte e em todas as eras é que o evangelho em sua plenitude foi revelado a Adão, e todas as religiões e práticas religiosas derivam de resquícios dessa verdade, com formas corrompidas das ordenanças sendo passadas adiante ao longo das eras.

Para entender de onde vêm os símbolos do templo, o lugar certo para começar não é uma loja maçônica do século XIX, e sim o texto sagrado, as escrituras.

O mar de bronze sobre os doze bois

O objeto mais imponente que Salomão mandou fundir aparece nas escrituras com o nome de “mar de fundição”, uma colossal bacia de bronze, de dez côvados de uma borda à outra, que se firmava sobre doze bois, três voltados para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente. O significado fica mais claro na forma como a própria edição das escrituras dos santos dos últimos dias resume o capítulo, identificando esse mar de bronze entre parênteses como a pia batismal, apoiada sobre o dorso de doze bois.

Aquele mar não era ornamento. Era água ligada à purificação, e os doze bois que o sustentavam evocam as doze tribos de Israel, o alcance do convênio sobre todo o povo. Quem já entrou no batistério de um templo dos santos dos últimos dias reconhece o desenho de imediato, porque as pias batismais modernas repousam, ainda hoje, sobre doze bois, no mesmo modelo de Salomão. O símbolo atravessou três mil anos sem se desfazer porque aquilo que ele aponta nunca mudou. O manual de seminário, ao comentar a mobília do tabernáculo que serviu de modelo ao templo, faz a leitura explícita: a pia pode representar o ato de nos tornarmos limpos por meio de Jesus Cristo.

As colunas com nome

Na entrada do santuário, Salomão ergueu duas grandes colunas de bronze que ficavam de pé por conta própria, uma de cada lado do pórtico, e fez algo curioso com elas: deu-lhes nomes. À coluna da direita chamou Jaquim, e à da esquerda, Boaz. Os nomes não eram decorativos. Em hebraico, carregam as ideias de “Ele estabelece” e “n’Ele há força”. Quem cruzava aquele limiar passava, literalmente, entre duas declarações esculpidas em metal, lembrado de que é Deus quem firma a casa e que toda a força repousa Nele.

O templo como um jardim

O interior contava a mesma história por outro meio. Salomão mandou talhar, pelas paredes e pelos móveis, querubins, leões, palmeiras e grinaldas de flores, e no lugar mais sagrado, o Santo dos Santos, colocou dois enormes querubins cujas asas abertas cobriam o lugar da arca. Palmeiras, flores e seres celestiais guardando um recinto santo compõem, juntos, a imagem de um jardim. E não de um jardim qualquer.

s querubins são os mesmos seres que, em Gênesis 3, foram postos para guardar o caminho de volta à árvore da vida depois que Adão e Eva deixaram o Éden. O templo foi desenhado para evocar esse jardim perdido, e a mensagem de toda a sua arquitetura é que existe um caminho de volta à presença de Deus.

O ouro e a glória que enchem a casa

Salomão cobriu de ouro o interior da casa, da madeira às esculturas. O ouro, na linguagem das escrituras, costuma representar o que é divino e incorruptível, de modo que a casa terrena foi vestida com a imagem do celestial. Quando tudo ficou pronto, aconteceu algo que nenhum ornamento humano seria capaz de provocar: a glória do Senhor encheu o templo, ao ponto de os sacerdotes não poderem ali permanecer. Toda aquela engenharia simbólica era, no fim, a moldura. O conteúdo era a presença real de Deus, descendo para morar com Seu povo.

Por que os símbolos atravessam o tempo

Esse é o sentido que dá unidade a cada côvado descrito em 1 Reis. O presidente Russell M. Nelson sintetizou o princípio ao ensinar que todo templo é uma casa de aprendizado, onde somos ensinados à maneira do Mestre, num modo de ensinar antigo e rico em simbolismo. O templo de Salomão tinha água apontando para o batismo, colunas apontando para a força em Deus, querubins apontando para o retorno à presença divina e ouro apontando para o celestial.

Os templos dos santos dos últimos dias contam a mesma história, com os mesmos elementos, porque a mensagem nunca se alterou. O manual do seminário resume essa continuidade ao afirmar que os objetos e as ordenanças do tabernáculo eram simbólicos, feitos para ensinar Israel sobre o Pai Celestial e Jesus Cristo e sobre como percorrer a jornada da vida de volta a Eles.

Sagrado, não secreto

As ordenanças que hoje se realizam no templo são sagradas, e os santos dos últimos dias se comprometem a não as expor fora dali. Isso às vezes é confundido com segredo, mas as fontes da Igreja distinguem as duas coisas. O presidente Boyd K. Packer ensinou que as ordenanças do templo não são segredos profundos e obscuros a serem guardados:

“Fora do templo, não conversamos sobre as ordenanças do templo. Nunca houve a intenção de limitar o conhecimento dessas cerimônias do templo a umas poucas pessoas que ficariam obrigadas a assegurar que as outras nunca as conhecessem. Na verdade, o que acontece é o oposto. Fazemos todo o empenho de incentivar todas as pessoas a qualificar-se e preparar-se para entrar no templo. (…)

As ordenanças e cerimônias do templo são simples; elas são belas e sagradas. São mantidas em sigilo para não serem ministradas a quem não esteja preparado. Curiosidade não é preparação. O interesse profundo, por si só, também não é preparação. A preparação para as ordenanças inclui alguns passos preliminares: fé, arrependimento, batismo, confirmação, dignidade, maturidade e respeitabilidade de alguém que é convidado a entrar na casa do Senhor.”

Os símbolos do templo de Salomão que podemos ler, ponderar e discutir, o mar sobre os doze bois, as colunas com nome, os querubins do jardim, o ouro, a glória que enche a casa, já bastam para entender que tudo já tinha sido revelado pelo Senhor. O manual de seminário a enuncia a promessa feita a Salomão: se o povo vivesse as leis referentes ao templo, o Senhor habitaria entre eles em Sua casa.

Os detalhes de 1 Reis 6 a 8 não são notas de construção. São uma profecia escrita em pedra, madeira e ouro, repetindo de muitas maneiras que Deus deseja estar perto de nós, e que Ele mesmo abriu um caminho de volta à Sua presença.

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