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Precisamos decorar os sinais do templo?

Para muitos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, algumas das palavras usadas para falar sobre a investidura podem despertar uma pergunta curiosa: depois desta vida, será realmente necessário lembrar palavras, sinais ou outras coisas aprendidas no templo para voltar à presença de Deus?

Ao explicar o propósito da investidura, o presidente Brigham Young ensinou que ela inclui as ordenanças necessárias para que uma pessoa possa, depois desta vida, voltar à presença do Pai, passando pelos anjos que estão como sentinelas.

Uma leitura muito literal dessa declaração pode dar a impressão de que haverá algum tipo de “ponto de controle” depois da morte, no qual será necessário lembrar exatamente determinadas informações.





Mas será que é isso que o templo está tentando ensinar?

O templo ensina por meio de símbolos

Uma das primeiras coisas importantes para compreender é que o simbolismo faz parte da maneira como Deus ensina Seus filhos.

O élder John A. Widtsoe, do Quórum dos Doze Apóstolos, ensinou que vivemos em um mundo de símbolos e que ninguém sai do templo devidamente investido sem conseguir enxergar, para além desses símbolos, “as poderosas realidades que eles representam”.

Em vez de nos concentrarmos apenas em o que determinado símbolo é, podemos perguntar:

Que realidade espiritual esse símbolo está tentando representar?

Alonzo L. Gaskill, professor de religião da BYU e autor de trabalhos sobre simbolismo religioso, também explica a importância da linguagem simbólica nas escrituras, nos rituais e nas ordenanças. Símbolos podem comunicar verdades espirituais que vão muito além do objeto ou gesto em si.

Por isso, ao estudar o templo, é importante não confundir o símbolo com aquilo que ele representa.

Sinais de convênios aparecem desde o Velho Testamento

No livro de Gênesis, por exemplo, Deus estabeleceu Seu convênio com Abraão e determinou a circuncisão como um sinal desse relacionamento. Em Gênesis 17, ela é apresentada como um sinal do convênio entre Deus, Abraão e sua posteridade.

Nesse caso, o sinal não era o convênio em si, mas um relacionamento de convênio com Deus.

Algo semelhante aparece depois do Dilúvio. Deus estabeleceu o arco-íris como sinal de Seu convênio com Noé e com toda a Terra.

Assim, as escrituras mostram um padrão importante: Deus pode associar elementos visíveis e reconhecíveis a Seus convênios, fazendo deles lembretes de uma relação que vai muito além do símbolo.

rituais maçônicos

E as semelhanças com a maçonaria?

Esse assunto inevitavelmente levanta outra questão. Alguns elementos da investidura possuem semelhanças externas com práticas maçônicas conhecidas por Joseph Smith em Nauvoo.

A própria Igreja aborda essas semelhanças em sua história oficial.

Joseph Smith tornou-se maçom poucos meses antes de apresentar a investidura em Nauvoo, em maio de 1842. Alguns dos primeiros santos que receberam a investidura também eram maçons e reconheceram semelhanças entre certos métodos de ensino. Mas a Igreja também destaca diferenças fundamentais.

Enquanto os rituais maçônicos têm como objetivos o aperfeiçoamento pessoal, a fraternidade e a caridade, na investidura homens e mulheres fazem convênios com Deus, tendo como objetivo final a exaltação por meio da Expiação de Jesus Cristo. A Igreja explica ainda que a investidura não foi simplesmente uma cópia da maçonaria e que seu conteúdo deriva das revelações dadas aos profetas.

Isso também nos ajuda a perceber uma característica encontrada ao longo das escrituras: um símbolo não precisa ser totalmente novo para receber um significado sagrado.

O que vemos no templo precisa acontecer literalmente?

A investidura apresenta acontecimentos relacionados à Criação, à Queda de Adão e Eva e à jornada da humanidade de volta à presença de Deus.

Mas isso significa que cada elemento de sua representação deve ser entendido como uma reconstrução histórica ou uma previsão exata do que acontecerá no futuro? Não necessariamente.

Um antigo manual oficial da Igreja, ao comentar justamente a declaração de Brigham Young, explica que as ordenanças do templo são simbólicas e relaciona essa preparação simbólica à realidade de seguir a Deus e guardar Seus mandamentos.

Essa distinção é importante. O templo não precisa funcionar como uma espécie de encenação antecipada, cena por cena, daquilo que encontraremos depois da morte para que seus ensinamentos sejam verdadeiros.

Sua linguagem pode estar representando realidades eternas.

Então, o mais importante não é memorizar?

Se reduzirmos o templo a palavras que precisam ser decoradas ou a informações secretas que precisam ser lembradas, podemos perder aquilo para o qual os símbolos estão apontando.

O que realmente transforma uma pessoa não é simplesmente conhecer um símbolo, mas viver o convênio associado a ele.

A própria Igreja, ao explicar a investidura, enfatiza essa relação entre os convênios e nossa preparação para a vida eterna. Em seu material oficial sobre o assunto, a Igreja ensina que honrar os convênios feitos na Casa do Senhor traz proteção espiritual nesta vida e nos prepara para a exaltação.

Scott Woodward, professor da BYU–Idaho, resume a ideia apresentada na transcrição: os símbolos não estão ensinando que alguém ficará de fora do reino de Deus simplesmente porque esqueceu determinadas palavras ou gestos.

O ponto é enfatizar fidelidade, compromisso e cumprimento dos convênios. Nesse sentido, a pergunta deixa de ser: “Será que vou me lembrar de tudo?” E passa a ser: “Estou me tornando fiel aos convênios que fiz com Deus?”

Uma jornada de volta para casa

A narrativa da investidura começa com a Criação e a experiência de Adão e Eva. Depois da Queda, eles deixam o Jardim do Éden e passam a viver em um mundo decaído.

Em certo sentido, nossa própria jornada mortal segue esse movimento.

Estamos afastados da presença direta de Deus e buscamos, por meio de Jesus Cristo e de nossos convênios, voltar a Ele.

Por isso, a progressão simbólica apresentada no templo pode ser entendida como uma jornada de volta à presença de Deus. A transcrição sugere justamente que a imagem de passar pelo guardião no caminho de volta ao Éden pode funcionar dentro dessa narrativa de retorno.

E talvez seja aí que a declaração de Brigham Young ganhe uma dimensão ainda mais profunda.

Não se trata simplesmente de chegar diante de Deus carregando informações corretas.

Trata-se de chegar diante Dele tendo sido transformados por uma vida de convênios.

ensinar seus filhos

Não é apenas sobre conhecimento, é sobre relacionamento

No final, talvez os símbolos do templo estejam nos direcionando para algo muito mais pessoal do que um sistema de “senhas”.

Eles apontam para nosso relacionamento com Deus.

A jornada que começou longe de Sua presença termina com Seus filhos voltando para Ele. Depois das dificuldades, escolhas, arrependimento, fé, convênios e perseverança da mortalidade, finalmente chegamos em casa.

Por isso, talvez uma das melhores maneiras de compreender os símbolos do templo seja seguir o conselho do élder Widtsoe: olhar além do símbolo para descobrir a poderosa realidade que ele representa.

E essa realidade não parece ser simplesmente a capacidade de lembrar palavras ou gestos.

É tornar-se alguém que fez convênios com Deus, permaneceu fiel a eles e, por meio de Jesus Cristo, está preparado para voltar à presença do Pai.

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