Por que Isaías diz que haverá um pilar no Egito?
“Naquele tempo o Senhor terá um altar no meio da terra do Egito, e um pilar ao Senhor, erigido junto do seu termo.” Isaías 19:19
Os capítulos 13 a 23 de Isaías reúnem oráculos proféticos que anunciam o fim de diversas nações e a expansão do reino de Deus. O capítulo 19 volta-se para o Egito e traz uma referência incomum a um pilar: “Naquele dia haverá um altar ao Senhor no meio da terra do Egito, e uma coluna ao Senhor junto ao seu limite” (Isaías 19:19).
Embora a nação egípcia venha a cair, Isaías parece indicar que um altar e um pilar dedicados ao Senhor serão, no fim das contas, estabelecidos naquela terra. Mas a que pilar Isaías está se referindo? Uma análise cuidadosa tanto da arqueologia quanto da Bíblia revela que esses pilares tinham grande importância na antiga Israel.
A palavra traduzida como “pilar” nesse versículo é o termo hebraico matzevah, usado 34 vezes na Bíblia Hebraica para designar algum tipo de pedra ou estela erguida por seres humanos com finalidade de devoção. Pedras erguidas dessa maneira eram comuns em todo o sul do Levante.
Na maioria das vezes, os matzevot aparecem associados a outros objetos de culto e costumam ser vistos de forma negativa nos livros que vão de Deuteronômio a 2 Reis (geralmente traduzidos como “imagem”, como em 2 Reis 3:2).
Em geral, aparecem ligados a altares estrangeiros que os israelitas fiéis deveriam destruir, ou como objetos erguidos por reis ímpios (ver Deuteronômio 7:5). Já em Crônicas, Jeremias, Oseias e Miqueias, há indícios de que os matzevot eram, sim, objetos de culto, frequentemente usados para adoração.

Espaços sagrados
Em Gênesis 28:10–18, Jacó sonha com uma escada que alcança os céus, com o Senhor no topo, firmando uma aliança com ele. Na manhã seguinte, ao despertar, Jacó conclui que aquele lugar “não é outro senão a casa de Deus, e esta é a porta dos céus”.
Em seguida, ele “tomou a pedra que tinha posto por sua cabeceira, e a pôs por coluna, e derramou azeite em cima dela.”. Essa passagem reforça a ideia de que os matzevot serviam para marcar um espaço sagrado ou registrar que uma aliança havia sido firmada.
Talvez o uso mais significativo apareça em Êxodo 24:4: “E Moisés escreveu todas as palavras do Senhor, e levantou-se pela manhã, de madrugada, e edificou um altar ao pé do monte, e doze monumentos, segundo as doze tribos de Israel”
Como o texto já havia mostrado que a presença do Senhor estava sobre o monte, é provável que Moisés tenha erguido os matzevot justamente para marcar aquele lugar como espaço sagrado. Além disso, cada tribo firmou uma aliança com o Senhor naquele momento, de modo que as doze pedras provavelmente comemoravam esse evento.

O Senhor dos Exércitos na terra do Egito
Os matzevot também aparecem em achados arqueológicos. Entre os exemplos mais relevantes estão os encontrados no sítio de Arad. Estudiosos concluíram que dois matzevot estavam presentes no Santo dos Santos do templo israelita ali localizado. Eles ficam encostados na parede do fundo, sem nada entre eles.
Essa posição lembra bastante o lugar ocupado pelos querubins no templo de Salomão, segundo o relato de 1 Reis: próximos à parede do fundo do Santo dos Santos, um de cada lado da Arca da Aliança. Em algumas passagens, Deus é chamado justamente aquele “que habitas entre os querubins” (2 Reis 19:15).
Isso sugere que os matzevot talvez servissem como proteção simbólica da presença de Deus — figuras guardiãs sem forma humana, assim como os querubins eram estátuas que protegiam essa presença. Nesse templo, Javé seria o deus que “habita entre os matzevot”. Arad oferece, assim, evidências sólidas de que esses pilares eram usados em contextos de culto e, portanto, associados naturalmente aos altares.
À luz dessas informações, Isaías 19:19-20 ganha ainda mais sentido: “Naquele dia haverá um altar… e um pilar ao Senhor, erigido junto do seu termo.”
Assim como as estelas de fronteira, monumentos carregados de significado ideológico, legal e teológico, usados para demarcar espaços sagrados ou políticos, comemorar tratados e invocar a autoridade divina ou real sobre um território específico, um matzevah na fronteira do Egito sugere que a majestade do Senhor ali se faz presente, e que o Egito passa a estar sob o cuidado de Sua soberania:
“E servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito, porque ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um Redentor e um Protetor, que os livrará.”

O porquê
No mundo de hoje, estrangeiros ou pessoas de fora costumam ser vistos com desconfiança. É fácil rotular quem vem de outro lugar como o “outro” perigoso, diferente de “nós” e, por isso, digno de suspeita.
Capítulos como Isaías 19 apresentam uma visão diferente: pessoas diferentes, até mesmo os egípcios, que um dia escravizaram os hebreus, podem, no futuro, adorar o Senhor e desfrutar de Sua presença, tendo pedras sagradas e altares dedicados a Ele em sua própria terra.
Como afirmou o presidente Gordon B. Hinckley:
“Surgem conflitos raciais em toda a sua sordidez. Fui alertado de que até aqui, entre nós, algumas dessas coisas acontecem. Não entendo isso. Achei que tínhamos todos nos regozijado com a revelação dada ao Presidente Kimball em 1978. Eu estava no templo na ocasião. Nem eu nem os que estavam comigo tivemos a menor dúvida de que essa revelação era a mente e a vontade do Senhor.”
E completou:
“Durante todo o meu tempo de serviço na Primeira Presidência, reconheci e falei diversas vezes sobre a diversidade que vemos em nossa sociedade. Ela está a nosso redor e devemos fazer um esforço para assimilá-la. Que todos nós reconheçamos que cada pessoa é filha do Pai Celestial e que Ele ama todos os Seus filhos… nnão há fundamento para o ódio racista no sacerdócio desta Igreja.”
Esse conselho ecoa os ensinamentos de Isaías, proferidos séculos antes, lembrando a todos que Deus ama todos os Seus filhos, não importa onde vivam.
Fonte: Scripture Central
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Post original de Maisfé.org
